Para trinta e cinco garotas, a “Seleção” é a chance de uma vida. Num futuro em que os Estados Unidos deram lugar ao Estado Americano da China, e mais recentemente a Illéa, um país jovem com uma sociedade dividida em castas, a competição que reúne moças entre dezesseis e vinte anos de todas as partes para decidir quem se casará com o príncipe é a oportunidade de escapar de uma realidade imposta a elas ainda no berço. É a chance de ser alçada de um mundo de possibilidades reduzidas para um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, uma artista da casta Cinco, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás Aspen, o rapaz que realmente ama e que está uma casta abaixo dela. Significa abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe. Bondoso, educado, engraçado e muito, muito charmoso, Maxon não é nada do que se poderia esperar. Eles formam uma aliança, e, aos poucos, America começa a refletir sobre tudo o que tinha planejado para si mesma — e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que ela nunca tinha ousado imaginar.
Pensei somente que irai gostar desse livro mais não achei que fosse ficar completamente apaixonada por ele :0
Super recomendo !!
Brasas
Seu coração selvagem disparou, batendo de forma caótica como o riacho
a sua frente. Seus membros tremiam e quando o luar atravessou a sua forma, eu
pude ver o seu pulsar e seus olhos olhando de um lado ao outro, em alerta ao
perigo. Eu a observei das sombras das árvores, um espectro negro atento como
a morte. Depois de erguer seu nariz no ar uma última vez, ela nervosamente
abaixou sua cabeça para beber água.
Eu saltei do meu esconderijo e atravessei a grama e arbustos, acabando
com a distância como uma estrela cadente. Minhas garras rasparam contra uma
raiz retorcida, empurrando-a para cima do solo, como o braço de um esqueleto
e ela ouviu o barulho.
Saltando rapidamente, o veado desviou para a esquerda. Eu pulei, mas
meus dentes pegaram somente o pelo espesso do seu casaco de inverno. Ela
soltou um grito de alerta e meu sangue correu e eu me senti mais vivo do que
eu estive em meses.
Eu ataquei novamente e desta vez envolvi minhas garras ao redor do seu
torno arfante num abraço mortal. Ela lutou embaixo de mim, revidando o
melhor que pode, enquanto eu mordia o seu pescoço. Afundando meus dentes,
eu apertei sua traquéia. Quebrando-a eu poderia sufocá-la e eu acreditava que
era uma maneira mais delicada, mais humana de caçar, mas de repente, me
senti como se eu estivesse sufocando lentamente.
A animação que eu senti enquanto eu caçava se esvaiu e eu fiquei mais
uma vez com o vazio que constantemente ameaçava me consumir. Isso me
sufocou e me engasgou, me matando sem pressa da mesma forma como eu
estava tirando a vida daquela criatura.
Eu abri minha boca e levantei minha cabeça. Sentindo a mudança, o
veado se lançou para o riacho me dando as costas. Quando ela desapareceu no
mato, água fria caiu sobre minha pele grossa e por um momento eu desejei
apenas poder respirar e deixar para lá. Deixar de lado minhas memórias. Deixar
de lado minha decepção. Deixar de lado meus sonhos.
Se ao menos eu acreditasse que a morte seria tão amável.
Aos poucos, eu fiz meu caminho para fora do riacho. Minhas patas
estavam tão cheias de lama quanto meus pensamentos. Desanimado, eu
balancei a água da minha pele e fui inutilmente tentando tirar a lama entre
minhas garras quando ouvi a risada de uma mulher.
— Essa foi a caçada mais patética que eu já vi. — Ela zombou.
Eu joguei minha cabeça para cima e vi Anamika agachada no galho de
uma árvore, o arco dourado no seu ombro e a aljava amarrada às suas costas.
Eu resmunguei baixinho, mas ela ignorou a advertência e continuou a
fazer comentários.
— Você escolheu a criatura mais fraca na floresta e você não pode abatê-
la. Que tipo de tigre você é?
Ela agilmente pulou do galho grosso. Anamika usava seu vestido verde e
enquanto ela caminhava na minha direção, eu fiquei momentaneamente
distraído por suas longas pernas, mas depois ela abriu a boca novamente.
Ela colocou as mãos na cintura e disse:
— Se você está com fome, eu posso abater a sua refeição para você, já que
é muito fraco para fazer você mesmo.
Resmungando, eu virei de costas para ela e fui em outra direção, mas ela
rapidamente me alcançou, acompanhando a minha velocidade mesmo quando
eu corri por entre as árvores. Quando eu percebi que não havia nenhum
movimento dela, eu parei e mudei de forma.
Como homem, eu virei para ela e gritei aborrecido:
— Por que você insiste em me seguir, Anamika? Não é suficiente que
esteja preso com você dia após dia?
Ela estreitou seu olhar.
— Eu também estou muito presa — Ela rolou a palavra por toda a
língua, já que era muito nova para ela. — aqui com você assim como você está
comigo. A diferença é que eu não desperdiço minha vida ansiando por algo que
nunca terei.
— Você não sabe nada sobre o que eu anseio!
Ela levantou uma sobrancelha para o que eu falei e eu sabia o que ela
estava pensando. Na realidade, ela sabia tudo o que eu ansiava. Ser o tigre de
Durga significava que nós dois compartilhávamos um vínculo, uma conexão
mental que nos ligava cada vez que assumíamos a forma de Durga e Damon. O
poder não lhe interessava, o que realmente fez dela a escolha perfeita para
governar como uma deusa. Ela nunca abusou das armas ou usou o Amuleto de
Damon para fins egoístas. Isto era algo que eu admirava nela, embora nunca
admitisse.
Havia outras coisas que eu percebi que me fizeram respeitá-la nos
últimos seis meses. Anamika era justa e sábia em resolver disputas, sempre
pensava nos outros antes de si mesma e ela empunhava as armas melhor do
que a maioria dos homens que eu conhecia. Ela merecia um companheiro que a
apoiasse e ajudasse a tornar o seu fardo mais fácil. Isso supostamente deveria
ser o meu trabalho, mas em vez disso, muitas vezes eu chafurdava em auto-
piedade. Eu estava prestes a pedir desculpas quando ela começou a apertar
meus botões novamente.
— Acredite ou não, eu não estou te seguindo para tornar sua vida
desagradável. Estou simplesmente garantindo que não se machuque. Seus
pensamentos estão constantemente distraídos, o que significa que você coloca
seu bem estar em risco.
— Me machucar? Me machucar! Eu não posso ser ferido, Anamika!
— Se machucar foi tudo o que você tem feito nos últimos seis meses,
Damon. — ela disse mais calmamente. — Eu tentei ser paciente com você, mas
você continua a exibir isso, essa... Fraqueza.
Com raiva, eu me aproximei dela e enfiei um dedo no ar próximo ao seu
nariz, efetivamente ignorando quase não perceptível pelo pó, mas ainda
atraentes, sardas e os grandes cílios de seus olhos verdes que poderiam fazer
um homem se perder.
— Vamos esclarecer algumas coisas, Anna; em primeiro lugar, o que eu
sinto é negócio meu e, segundo — Eu parei depois que eu ouvi ela puxar a
respiração. Preocupado que eu poderia assustá-la, eu recuei um passo e parei
de gritar. — Em segundo lugar, quando estamos em público, eu sou Damon,
mas quando estamos sozinhos, por favor, me chame de Kishan.
Virei as costas para ela, levei minha mão para o tronco de árvore
próxima e deixei o fogo da raiva que ela sempre trazia a tona enfraquecer e se
tornar brasas mortas e fumaça. Concentrando em desacelerar minha respiração, EQUIPE DIZ QUE É FÃ DE A MALDIÇÃO DO TIGRE
eu notei sua aproximação até que eu senti a sua mão no meu braço. O toque de
Anamika sempre me causava um formigamento quente pela minha pele, uma
parte da nossa conexão cósmica.
— Eu sinto muito... Kishan. — ela disse. — Não foi minha intenção irritar
você ou trazer suas emoções voláteis à superfície.
Desta vez seus comentários irritantes não me incomodaram. Em vez
disso, ri secamente.
— Eu vou tentar lembrar de manter minhas “emoções voláteis” contidas.
Nesse meio tempo, se você importunar o tigre ele pode não pensar duas vezes
em lhe mostrar seus dentes.
Ela me estudou em silêncio por um momento, em seguida, passou por
mim, voltando para nossa casa com uma expressão dura. O som suave dos seus
murmúrios desapareceu enquanto ela se movia por entre as árvores, mas ainda
peguei a frase: “Eu não tenho medo dos seus dentes.”
Eu senti culpa por deixá-la voltar para casa sozinha, mas eu notei que ela
usava o amuleto de Damon e sabia que não havia nada nesta terra que poderia
prejudicá-la. Quando ela se foi, eu me espreguicei e me perguntei se eu deveria
voltar para casa que nós compartilhávamos, compartilhar era um termo
relativo, ou se eu deveria passar a noite na floresta. Eu tinha acabado de
encontrar um bom pedaço de grama para dormir e descansar o meu corpo,
quando senti a presença de outra pessoa. Quem estaria aqui? Um caçador?
Anamika teria voltado?
Lentamente, eu circulei, fazendo de pouco a nenhum som e quando eu
tinha terminado de circular, eu pulei para trás, meu coração batendo em
choque. Um pequeno homem estava diante de mim, como se tivesse surgido do
nada, o que ele provavelmente tinha feito. O luar brilhou em sua cabeça careca
e, quando ele se moveu, suas sandálias esmigalharam a grama. Nós não
tínhamos visto o monge desde aquele dia fatídico em que eu dei a minha noiva,
a garota que eu amava mais do que a vida, para o meu irmão. O dia em que vi
meus sonhos, minhas esperanças e meu futuro saltar através de um turbilhão
de chamas e desaparecer, extinguir como uma lâmpada que fica sem óleo.
Eu estava vazio desde então.
— Phet — eu disse simplesmente. — O que o traz para a minha versão
do inferno?
O homem agarrou o meu ombro e olhou para mim com seus lúcidos
olhos castanhos.
— Kishan — disse gravemente. — Kelsey precisa de você.
Estou pirando aqui não vejo a hora de ser lançado!!
O Pequeno Príncipe
Impressionante a profundidade com que Exupéry consegue tratar a realidade humana nesse clássico. Se posso me permitir essa ousadia, parece-me que o principal conceito abordado é a liberdade, no seu sentido mais amplo. É fácil ver como os vários personagens que o principezinho vai encontrando ao longo de sua viagem, seja o rei, o bêbado, o vaidoso, o acendedor de lampião ou o empresário, se tornaram escravos de suas autoimagens, de suas atribuições ou de seus hábitos. Ou ainda de como “os adultos” são reféns das convenções, não se permitindo imaginar (ou mesmo viver).
A liberdade do homem consiste exatamente em conseguir tornar qualquer coisa importante e essencial para si mesmo e, assim, se tornar o que quiser. Mais do que poder escolher, a liberdade é a essência da natureza humana. Por isso a famosa frase de Sartre “o homem está condenado a ser livre”, interpretada por Humberto Gessinger em “sem motivo nem objetivos estamos vivos e isso é tudo, é sobre tudo a lei”. De fato, tudo que é valioso para uma pessoa é uma construção, como diz a sábia raposa “foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante”. Contudo, pode-se fazer importante qualquer coisa, inclusive uma limitadora autoimagem de vaidoso ou diretor financeiro. Mais do que isso, pode se tornar angustiante a ideia de que as coisas não tem valor por si só, mas sim o valor atribuído por nós. Daí o vazio e a náusea de Sartre. Poder ser qualquer coisa é ao mesmo tempo incrível e angustiante. Mas nosso príncipe é otimista e vê nobreza naquelas construções que se baseiam no cuidado ao outro, numa mensagem de amor e espiritualidade “Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim único no mundo.”.
Certa vez disse a um grande amigo que me incomodava o grande valor que eu dava a beleza, o que me sugeria certa futilidade. Ao que ele sabiamente respondeu que a beleza não era uma futilidade, mas uma virtude. Desde que o julgamento de beleza fosse meu e não um padrão, uma convenção social. Creio que a liberdade tem a ver com isso, descobrir a si mesmo. Os relacionamentos e sentimentos cultivados parecem especialmente reveladores.
Quem nunca sonhou em ser invisível ou ler a mente das pessoas? Acho que ninguém ou então muito poucos. É interessante que sempre que o assunto é a possibilidade de nos tornarmos invisíveis, pensamos somente nas partes boas de termos essa habilidade, entrar nos lugares sem sermos notados, nos esconder...mas e as partes ruins de ser invisível?O Homem Invisível de H.G.Wells conta a história de Griffin um físico inglês que descobre a fórmula da invisibilidade e realiza o procedimento nele mesmo, tornando-se invisível, só que a invisibilidade também tem suas desvantagens, o que acaba impedindo Griffin de produzir um antídoto, então ele decido ir para uma cidade pequena e calma para conseguir desenvolver o antídoto sem ser importunado, mas seu jeito estranho e recluso deixa as pessoas curiosas, além, é claro, dos óculos escuros, luvas, chapéu e algumas faixas no rosto, que intrigam as pessoas do povoado, de início fazendo-os supor que seu rosto está desfigurado. No decorrer do livro podemos perceber o quanto essa situação transformou uma pessoa curiosa e ambiciosa em um louco e como algo visto como bom pode se tornar um verdadeiro fardo.
Um livro extraordinario que recomendo a todos